Uma defesa da língua, da honestidade intelectual e da verdade.

Ao lançarmos o Jornal ESclarece, escolhemos um nome que carrega nossa missão no próprio DNA: trazer à vista o que por vezes é ignorado ou propositadamente ocultado. No entanto, vivemos tempos em que a desinformação se disfarça até de militância. Circulam nas redes sociais discursos sem base científica afirmando que o verbo “esclarecer” seria um termo racista, sob a falsa premissa de que tudo o que remete a “claro” é bom e “escuro” é ruim por motivos raciais.
O ESclarece nasce para combater inverdades. E a primeira inverdade que vamos desmontar é essa. Defender nosso nome é o nosso primeiro ato de Checagem de Fatos e de compromisso com a verdade e a honestidade intelectual.
Consultando o “Dicionário Etimológico Resumido” (1966) de Antenor Nascentes, intelectual negro, filólogo, linguista e um dos maiores lexicógrafos do Brasil e da língua portuguesa, e também a obra “Formação de Palavras no Português Brasileiro Contemporâneo” (1988), do professor e linguista Antônio José Sandmann, vamos aos fatos:
A palavra “esclarecer” não nasce da relação entre raças humanas. Ela nasce da Física e da Óptica. A raiz da palavra vem do latim clarus, que significa “brilhante”, “nítido”, “audível”, “ilustre”. A partir deste radical o termo é formado pelo prefixo ES- (movimento para fora, intensidade) + CLARO + o sufixo -ECER (que indica processo, mudança de estado).
Portanto, “esclarecer” significa, etimologicamente, “tornar visível o que estava oculto” ou “tornar nítido o que estava confuso”, ou seja, trazer à vista, a um lugar
visível, aquilo que estava escondido, fora do campo de visão. A metáfora é sobre a luz do dia versus a escuridão da noite, uma experiência humana universal de sobrevivência e visão, que precede em milênios o conceito moderno de racismo. Dizer que “esclarecer” é racista, assim como “criado-mudo” (assunto para outro editorial deste), é tão anticientífico – e desonesto intelectualmente – quanto dizer que a palavra “aluno” significa “sem luz”, outra fake news etimológica que se difundiu pelas redes.
O desserviço do “Progressismo de Vitrine”.
Em seu artigo “Um episódio na praia: notas epistemológicas sobre expressões consideradas racistas” (2024), o pesquisador Luciano Oliveira nos alerta para o perigo de banalizar a luta antirracista com “querelas bizantinas“. Oliveira argumenta que banir palavras como “esclarecer”, baseando-se em falsas premissas, não ajuda em nada a luta antirracista, pelo contrário, cria um ativismo de vitrine, onde se limpa a linguagem, mas se mantém a estrutura de opressão intacta.
O Jornal ESclarece se recusa a participar dessa “higienização vazia”. O racismo real está na violência policial, na desigualdade salarial, na falta de representatividade política e nas escolhas e análises linguísticas que desconsideram a riqueza etimológica das línguas afrodiaspóricas, ou apenas reconhecem e divulgam as contribuições lexicais dessas línguas em termos chulos como “bunda” “ximbica”, “xingar”, ignorando a influência dessas línguas em termos como “curinga”, “mochila” “encabular” e “chemistry” na língua inglesa. Inventar que “esclarecer” é racista é desviar o foco do problema real, é criar uma “cortina de fumaça” linguística. O progressismo sério se faz com escuta atenta, senso crítico, propósito e não com invenções e discursos rasos.
Por que somos “ESclarece”?
Nossa escolha pelo nome reafirma nossos Pilares Editoriais: O combate à desinformação, mesmo que venham embaladas em um discurso inclusivo; a linguagem acessível, saindo do “economês” e do “juridiquês” e trazendo para a linguagem direta, que permite que todos entendam; e a valorização da Identidade Capixaba, com “ES” em destaque, valorizamos e levamos a vista de todos o nosso território Capixaba.
Ser ESclarece é assumir o compromisso de não ter medo de palavras, mas sim respeito pelos significados. Não cedemos a um “progressismo raso” que prefere policiar o dicionário a enfrentar o sistema. Continuaremos a esclarecer fatos, denunciar injustiças e, dar voz e vista ao que está, e aos que estão estão à margem dos olhos da sociedade, e acima de tudo, tratar nosso leitor como um cidadão inteligente e que merece a verdade.
Jornal ESclarece – A realidade capixaba sem meias verdades (e sem falsas etimologias).
